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07/21/2017
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Artigo redigido por Laurent Allard


A Cloud é o futuro. Mas, o que é o futuro da Cloud?


Episódio 1: usuários de cloud em foco: quem são eles? Quais são as suas necessidades e desafios nos próximos anos?



Já reparou neste movimento generalizado que vai ao encontro da cloud? A cloud é hoje mainstream. Tal como a palavra «internet», a palavra «cloud» está em vias de perder a sua maiúscula (1), isto significa que o seu uso tornou-se totalmente comum. Os números comprovam esse fato: de acordo com o gabinete IDC (2), 68% das empresas adotaram hoje a cloud e um terço dessas empresas afirmam ter uma estratégia madura nesta área. Não é de admirar, já que 92 % dos entrevistados pela SolarWinds (3) estão convencidos de que a cloud foi uma das chaves para o sucesso que tiveram a longo prazo!






Os 5 tipos de perfis de utilizadores da cloud e os seus respetivos desafios


Apesar das empresas passarem para a cloud, estas não têm todas o mesmo ponto de partida.
Esta disparidade cria uma grande diversidade de desafios quer para os utilizadores, quer para os fornecedores de cloud como a OVH.
Por forma a iniciar esta série de artigos que traça o retrato da cloud do futuro, vamos analisar cada um dos perfis de utilizadores e os desafios que estes enfrentam.



« Web hosting users »


Em primeiro lugar, existem os históricos utilizadores de serviços de alojamento web (ainda conhecidos como «web hosting» ou «alojamento compartilhado»).
No princípio da década de 2000, o web hosting foi uma das primeiras áreas de negócios da OVH.
É um segmento de mercado importante que enfrenta atualmente uma desaceleração do seu crescimento, este está agora abaixo dos 10% enquanto que o mercado do IaaS + PaaS é superior a 30%.
Este é um fenómeno histórico que atesta da passagem dos utilizadores para as tecnologias originalmente cloud IaaS/PaaS e/ou para as tecnologias SaaS Web de mais alto nível, tais como as CMSaaS (Content Management as a Services).
Os fornecedores, por sua vez, enfrentam importantes trabalhos de migração por forma a transportar as plataformas técnicas históricas para tecnologias mais modernas, ao mesmo tempo que se deparam com questões de continuidade do serviço e de volumes consideráveis - 18 milhões de aplicações web alojadas só na infraestrutura web hosting da OVH (e 4 milhões de nomes de domínios geridos).
A OVH antecipou esta mutação virando-se para a cloud já no fim da década de 2000. Para ir ao encontro desta mudança, diversificou as suas ofertas.
Outros ficaram focados no mercado do web hosting e estão condenados a serem niche players ou então terão que rapidamente mudar o seu core business (para serviços/áreas de negócios de valor acrescentado).



« Selective/tactical IaaS adopters »


A segunda população de utilizadores cloud surgiu em meados da década de 2000 e é constituída por selective/tactical IaaS adopters.
Estes utilizadores não terceirizam a totalidade da sua infraestrutura mas somente algumas partes.
Apenas aquelas que eles consideram ter menos valor acrescentado: o backup, o armazenamento (foi assim que o serviço AWS começou), os escritórios virtuais, os e-mails... A chegada do XaaS (anything as a service) é uma das causas principais para o Shadow IT nas empresas.
Surgiu uma multitude de soluções, cada uma destas satisfaz uma necessidade específica que nem sempre era bem satisfeita pelos administradores de rede das empresas.
Mais tarde, os responsáveis informáticos aperceberam-se que esta divisão das suas infraestruturas por vários fornecedores fragiliza os seus sistemas de informação, pois esta aumenta os problemas de segurança, de conformidade e de controle dos custos.
A procura de XaaS ainda é muito forte, no entanto, as empresas tentam agora consolidar e racionalizar esta parte informática que não correu muito bem agrupando estes serviços dentro de um mesmo fornecedor que dispõe de uma oferta generalista.
Uma oferta completa construída pela OVH ao longo dos anos, esta conseguiu tirar proveito dos investimentos, realizados nos seus datacenters e na sua rede mundial de fibra, e dos seus conhecimentos do IaaS. Assim, democratizou serviços tais como o serviço de armazenamento, soluções de plano de recuperação de desastres mediante solicitação ou escritórios virtuais.
Os tactical/selective adopters são um segmento de mercado interessante para os fornecedores, pois estes representam um ponto de entrada para uma migração completa para a cloud.
Hoje em dia, as prioridades das empresas concentram-se no alojamento de aplicações e de bases de dados (DBaaS) e no armazenamento (para os dados de acesso frequente e os dados de acesso raro).



«Startups e digital natives»


O terceiro perfil de utilizadores é composto por startups que têm como característica principal não possuir nenhum legacy (legacy representa as aplicações existentes que são executadas em infraestruturas próprias, muitas vezes, envelhecidas).
Os digital natives começam do nada e apenas consideram a hipótese de iniciar os seus projetos dentro da cloud.
Estas empresas recentes baseiam-se na cloud para conseguirem desenvolver-se, implantar-se e crescer rapidamente.
Isto permite que se concentrem na inovação que oferecem aos seus utilizadores/clientes.
No entanto, quando estas startups têm sucesso, procuram controlar melhor os custos das suas infraestruturas por forma a melhorar os seus business models.
É neste momento que muitos percebem que os fornecedores americanos, pelos quais eles tinham optado, têm custos dificilmente previsíveis e que estes podem aumentar de forma considerável.
É assim que devemos interpretar o caso da Dropbox que abandonou a cloud AWS em 2016 para se implantar numa infraestrutura gerida por eles, realizaram assim poupanças significativas (4) (Nota: Nessa época, a OVH ainda não tinha infraestrutura cloud nos Estados Unidos para poder oferecer uma alternativa para o mercado dos EUA).
Em relação aos serviços cloud, a cloud pública que é, por natureza, uma infraestrutura múltipla (os recursos físicos são compartilhados em benefício de vários clientes) nem sempre é a solução ideal para todas as fases de maturidade de um projeto.
De facto, um projeto que está a iniciar-se precisa de uma solução fortemente escalável que possui um bilhete de entrada fraco ou até inexistente, pois é necessário reduzir ao máximo o seu time to market.
Todavia, quando o projeto já amadureceu pode relevar-se mais interessante evoluir para uma solução semelhante a um hosted Private Cloud. Neste tipo de solução, os recursos estão dedicados a 100% ao utilizador (single-tenant).
Quer para controlar os custos (através de uma estratégia de consolidação que também pode incluir servidores dedicados), quer para satisfazer melhor os requisitos de conformidade dos utilizadores.
Estamos convencidos de que é necessário oferecer diferentes tipos de cloud e não uma oferta única.
Também verificamos que as infraestruturas mais inteligentes combinam todos estes tipos de recursos cloud.
Deste modo, em 2009, a OVH desenvolveu um serviço virtual (vRack) que permite isolar-se dos outros utilizadores e interligar, através de uma rede privada, servidores dedicados, Private Cloud e instâncias Public Cloud.
Uma oferta única no mercado que conquista tanto os «digital natives» como as migrações de Legacy.
Este segmento de mercado, «digital natives», conhece hoje um crescimento muito forte (em França, na Europa e internacionalmente).
Entres essas startups estão as grandes empresas do futuro, as GAFAM (Google, Amazon, Facebook, Apple, Microsoft) europeias.
É para incentivar e para oferecer uma ajuda concreta às startups, por forma a criar e, mais tarde, construir as suas soluções, que a OVH lançou no final de 2015 um programa de acompanhamento das startups, o Digital Launch Pad.
Um programa que já apoia mais de 800 startups oriundas de 45 países.



« Cloud migrants »


Em seguida estão as «cloud migrants», ou seja, empresas nas quais o sistema informático ainda tem, maioritariamente, por base um legacy. Muitas destas empresas investiram muitos fundos nesses legacy.
Estas empresas, pequenas, médias e grandes, perceberam que era necessário passarem para a cloud.
Evidentemente por questões de custo, mas também para reduzir a falta de agilidade que estas têm em comparação com as startups que interferem nas suas áreas de negócio e as ameaçam.
Obviamente o sistema informático não é a única razão para este tipo de perturbação: quando uma startup consegue quotas de mercado que pertenciam a participantes históricos - no setor da banca, do transporte, da saúde - é, muitas vezes, devido a uma ideia inovadora, uma solução inédita para as necessidades dos utilizadores ou/e um business model arrojado.
No entanto, o fato de se libertar do sistema informático «tradicional» externalizando-o para a cloud permite a estas empresas recentes liderarem a corrida, ao mesmo tempo que o legacy prejudica as empresas já estabelecidas.
Desta forma, a procura por agilidade (especialmente para a aceleração do time to market através da rápida implantação de novos recursos) tornou-se a principal razão pela qual as empresas migram para a cloud, à frente da redução de custos!
Contudo, existem algumas preocupações.
Apesar de terem sido afastados os receios no que concerne a segurança da cloud, hoje em dia, o medo está em não ter as competências adequadas, este fato retarda a adoção da cloud. Apenas 27% dos entrevistados pela SolarWinds (3) dizem ter as competências para efetuar a migração para a cloud e para gerir um ambiente híbrido que combina o legacy e a cloud externa.
Felizmente, existem soluções.
As «cloud migrants» constituem uma fonte de crescimento enorme para o mercado do IaaS, é por isso que os providers e os SSII trabalham em conjunto por forma a acompanhar a transição para a cloud e a fornecer a estas empresas as competências necessárias para gerir um ambiente híbrido complexo.
É também neste contexto que temos que entender [url="http://www.itespresso.fr/ovh-reprend-vcloud-air-vmware-accelerateur-business-usa-153836.html"[a recente aquisição da vCloud Air pela OVH[/url] (imprensa francesa), a vCloud Air possui uma tecnologia híbrida que permite migrar máquinas virtuais de um datacenter para outro, sem que ocorra interrupções do serviço ao mesmo tempo que é conservado o plano de endereçamento IP!



« SaaS editors »


Por fim, existe o caso das empresas de software que se viraram para o SaaS antecipando ou submetendo-se a este.
Estas empresas atravessam uma profunda transformação do seu modelo económico: devem passar de um modelo baseado na venda de licença para um modelo baseado na subscrição e/ou na faturação em função da utilização.
No entanto, a revolução tecnológica que eles precisam efetuar para integrar o setor comum da cloud, depois de ter comercializado durante muito tempo on-premise, é igualmente grande.
Estes devem, evidentemente, construir plataformas técnicas para implantar as suas aplicações, mas também distribuir essas plataformas por forma a estarem presentes em todas as partes do globo, garantindo assim os melhores desempenhos para todos os seus utilizadores, onde quer que estes se encontrem no mundo.
Isso obriga as empresas de software a conhecerem a legislação das diferentes zonas geográficas em que operam, por forma a garantir a melhor segurança possível para os dados dos seus clientes.
Por exemplo, não forçar os utilizadores europeus a terem os seus dados alojados nos Estados Unidos e, portanto, sujeitos ao Patriot Act.
Outro risco latente é a banalização das soluções SaaS em Mega MarketPlace, estes Mega MarketPlace controlam a relação com o cliente e transformam os serviços SaaS em comodidades.
Através destes retratos dos diferentes tipos de utilizadores da cloud, estamos, na verdade, a narrar a história da cloud.
Embora seja uma história recente, esta já é incrivelmente rica devido à rápida evolução das tecnologias.
Desde já marco encontro consigo para daqui a algumas semanas. Nessa altura iremos falar das possíveis sinergias entre os protagonistas do IaaS e do PaaS e da consolidação do mercado do IaaS, teremos, provavelmente, a oportunidade de assistir a muitas aproximações por forma a ver emergir os lideres mundiais do futuro.
Fique atento!



[i]Notes[/i]:


1) Devemos colocar uma maiúscula na palavra «Internet»?, de Luc Vinogradoff, no dia 4 de abril de 2016 em BigBrowser.blog.lemonde.fr

2) Source : IDC survey of 6,100 organisations in 31 countries, released today, indicates, with 68 per cent of respondents using public, private or hybrid cloud in their IT mix. This is a 60 per cent jump from 42 per cent of respondents doing cloud in 2015. Consulter le rapport complet.

(3) Source : IT Trends Report 2016: The Hybrid Evolution, SolarWinds.

(4) « Dropbox a quitté le cloud d’Amazon pour sa propre infrastructure », par Virgile Juhan, le 15 mars 2016, sur journaldunet.com.